À VIDA COMO ELA NÃO É
- Luiz Sampaio

- 30 de set. de 2020
- 1 min de leitura
quanta delícia deve haver
num jardim só de delícias!
eu
do lado de cá
vou arando meus canteiros
com pés e asas
voltados aos sonhos de além
o aqui
o meu
o mesquinho
o terreno
é aquém
de tudo o que me sobrevoa
meu coração contido
abafa tanta malícia!
do meu escuro eu aceno
canto loas
a algo que me faça sentido
à alegria não fictícia
ao lado ardido da carne
à alma e seu ardor espúrio
à vida quando é calor
à festa que não tem fim
ao tempo que não tem ponteiros
ao berro
não ao murmúrio
a tudo que nunca definha
ao mais eterno estar bem
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